quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Voltando a escrever - Avançamos

Olá galera! Estou de volta.

A última vez que escrevi aqui no Blog foi em 06 de Julho de 2017. Dia 06 agora de Dezembro, farão seis meses.

Bem, de Julho pra cá, muitas coisas aconteceram, as quais, passarei a descrever e narrar aqui.

Todo paciente em tratamento de câncer, após certo tempo, precisa se submeter a exames de controle da doença. Havendo cumprido os seis meses de quimioterapia pesada(R-Chop), a médica nos solicitou a nossa primeira Petscan ou PET /CT, pois através desta, é possível saber a eficácia do tratamento, ou seja, se a doença ainda estaria ou não em atividade.

Dia 27 de Julho de 2017, realizei o PET/CT. A expectativa associada a ansiedade era grande. Os nódulos haviam desaparecido durante as sessões quimioterápicas. Por essa razão, eu acreditava que o PET/CT confirmaria nossa melhora. Os dias se passaram. Era hora de viajar à capital João Pessoa, para pegar o tão esperado resultado... Juntamente com minha esposa, que sempre esteve do meu lado, entramos na clínica, pegamos o exame, e passamos a ler... Saímos da clínica cheios de alegria, pois em meio a tudo que lemos, lá estava uma frase, que qualquer leigo entenderia: "...NEGATIVO PARA ATIVIDADE DE DOENÇA..." Isso mesmo! A doença não estava mais em atividade. 

Com base nesse resultado, entrei para a chamada "TERAPIA DE MANUTENÇÃO". Era tudo o que queria, pois além de ficar livre daquela quimioterapia pesada e cheia de efeitos colaterais, os cabelos voltariam a crescer e não seria mais necessário usar máscara o tempo todo. Você não faz ideia do quanto isso me animou!...

A manutenção durará 2 anos. É feita a cada 2 meses. E, apenas com uma medicação chamada MABITHERA. Dia 11 agora de Dezembro de 2017, receberei a terceira aplicação... Avançamos.

Seis meses já se passaram, desde a realização desse primeiro exame PET/CT. Dia 05 agora de Dezembro de 2017, farei o segundo. A expectativa e ansiedade parece estar maior que a primeira vez. Digo isso porque, nesse intervalo entre um exame e outro, passei a sentir umas dores nas costas. Até cheguei, numa das crises, a dar entrada no hospital. 

Os nódulos não voltaram, e graças a Deus por isso, contudo, é impossível ficar totalmente em paz diante da possibilidade de acabar sabendo que tais dores, tem ou terá relação com a doença... Espero em Deus que não. Apesar de minha expectativa oscilar, até porque sou humano, sigo confiante que a Divina Misericórdia continuará manisfesta em nosso processo de tratamento e recuperação, possibilitando melhoras sobre melhoras.

Considero que estou bem; muito bem. Os cabelos estão crescidos. Os exames periódicos apresentam taxas normais. E assim, continuo seguindo firme nessa luta contra o linfoma folicular grau 2 com o qual fui diagnosticado em 19 de Dezembro de 2016.

Espero em breve poder voltar a usar esse espaço, para falar de minha alegria, por ocasião do resultado do segundo exame PET/CT, que assim como o primeiro, será favorável, a saber: "NEGATIVO PARA ATIVIDADE DE DOENÇA". Assim espero!... 

Processo do crescimento do cabelo 06 meses depois da última quimioterapia pesada - R-Chop.


"Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis".

terça-feira, 6 de junho de 2017

Revê-los: Uma alegria que me fez bem

O mundo dar voltas. O tempo não pára. A vida está sempre seguindo seu curso, seu fluxo, suas direções, suas estradas. Impondo-nos desafios. Ensinando-nos lições. Envolvendo-nos nos fatos, nas circunstâncias, nas adversidades, nas experiências pedagógicas do sofrer, do rir, do chorar, do cair, do levantar... De natureza que, nesse contexto da vida sempre em movimento, não há nada pior do que a sensação de que a sua vida está parada. Sei bem o que é isso!...

Encarar uma doença como o câncer não é nada fácil. Nos arranca do convívio social. Interrompe os sonhos, ás vezes por um período de tempo, outras vezes, definitivamente. Atrasa nossos objetivos. Desacelera o ritmo normal da vida... A vida parece que pára, muito embora, paradoxalmente, você esteja em constante exercício físico, psicológico e sobrenatural(fé), objetivando vida normal. 

A grande impressão é que você vai ficando para trás, enquanto todos avançam. Bem, o fato, é que de fato, muitas coisas ficam paralisadas, até que sejam retomadas. 

Paralisar o Curso Tec. de Radiologia foi deprimente, apesar de necessário. Teria pela frente um tratamento que em sua primeira fase, duraria seis meses. Seis meses ausente de uma turma show de bola. Uma turma família. Uma turma angelical. Angelical, não em sua origem, claro, mas em suas atitudes. Atitudes de apoio, solidariedade e muita união. 

Encaramos o tratamento. Eles me apoiaram. Em meu favor sacrificaram-se. Ficaram constantemente na arquibancada da vida, torcendo pela minha recuperação e retorno. Juntamente comigo, se tornaram IMBATÍVEIS. E, eu explico o porque do "IMBATÍVEIS". Na última aula que tivemos, disse para toda a turma a seguinte frase: "Não será o câncer que irá me derrubar, mas serei eu, que com ajuda de vocês, derrubarei o câncer". Num gesto de concordância eles deram um "AMÉM" em forma de aplausos. E assim, comigo, se tornaram "UM", na crença de que seríamos vencedores e não vencidos.

Seis meses se passaram. Tive melhoras na primeira fase do tratamento quimioterápico. E já estava mais do que na hora de fazer uma visita surpresa a toda galera do curso, incluindo o Coordenador Myshael Alesk, a quem serei grato, eternamente.

A aula já havia começado. Estavam beirando o horário de intervalo. A porta da sala estava fechada. Ao me aproximar, percebi que era o professor Hygo(a quem, também, sou grato), que estava dando aula. Empurrei a porta lentamente e expressei um "posso entrar?!" A reação foi de pura alegria! Sentei onde costumava, e quase que de imediato, tive um espaço de tempo concedido pelo professor, para ir a frente expressar minha alegria em rever a turma e falar um pouco de nossa luta contra a doença, bem como, de nossos avanços no tratamento. 

Ao concluir minhas palavras,  fizemos um círculo e, de mãos dadas, oramos o "Pai Nosso" numa voz unânime de gratidão a Deus pelas melhoras alcançadas. 

Na sequência, recebi um abraço de todos, e em seguida, partimos, claro, para as fotos (rsrs). 

Rever toda essa galera, nesse Sábado(03/06/17), foi uma alegria terapêutica e indizível. Uma alegria que me fez muito bem!... A todos vocês sucesso e saúde!

"Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis".



Com o Coordenador Myshael Alesk - Alegria e Gratidão
                                                   

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Mais Boas Notícias


Olá pessoal!

Algum tempo fiquei sem postar, mas voltamos. Voltamos em um pequeno vídeo, para compartilhar boas notícias. Notícias boas, são sempre bem vindas.

Alessandra Piassarollo disse: "Acredito que nas marés de incerteza, sempre tem uma onda de boas notícias".

Paloma De Déa disse: "Boas notícias fazem com que as tristezas se percam como agulha no palheiro".

Provérbios 15:30 está escrito; "...As boas notícias revigoram os ossos".

Portanto, segue as boas notícias que recebemos na última consulta: 1) A imunidade subiu; 2) há normalidade nos demais exames e 3) entraremos na fase de manutenção, na qual a quimioterapia será a cada 2 meses e bem mais suave, se confirmado, os bons resultados do PET CT, que estamos por receber.

                                                           Veja o vídeo:


"Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis"

terça-feira, 28 de março de 2017

"Tarde do Bem" - Um apoio à mulheres com Câncer de mama


Helen Nunes, Eliane Brito(a morenaça), Nilda e Jaciara - Respectivamete
Na tarde de hoje (26.03.17) mas precisamente  no auditório da Secretaria Municipal de Saúde de Guarabira, situado no Bairro Novo, presenciamos o encontro "Tarde do Bem", realizado pelos projetos "Mãos que Ajudam" e "Auto Estima na Quimioterapia".

O projeto "Mãos que Ajudam", fundado e encabeçado pelas guerreiras Jaciara Almeida Oliveira e Josenilda  Rodrigues foi lançado hoje, objetivando unir forças, para ajudar as mulheres diagnosticadas com câncer.

No evento, foi posto em ação palestras, brindes, depoimentos e um lanche oferecido para as participantes, bem como, a oficina de turbantes, feita com Helen Nunes, do blog Auto Estima na Quimioterapia.

A solidariedade foi marca expressiva, evidenciado na confecção de turbantes para as mulheres em tratamento quimioterápico do Hospital Napoleão Laureano de João Pessoa.

O ponto forte se deu, mediante emocionantes depoimentos, onde algumas mulheres tiveram espaço para falar um pouco de suas histórias, a saber: Joseane Targino(contadora), Alcidema Santos, Jaciara Almeida, jornalista, Helen Nunes e Josenilda Rodrigues, cuja história, principiada aos 22 anos, acabou por resultar na fundação de uma rede de solidariedade, direcionada as mulheres que sofre com a doença.

Alcidema destacou, além da gravidade do seu câncer, a importância de acreditar e ter fé em Deus. Já Jaciara, salientou a presença da doença na família há algumas décadas, a partir de sua mãe e agora ela em tratamento. Nos trouxe ainda algumas estatísticas concernente ao câncer de mama.


A Morenaça , Eu e Helen Nuns - respectivamente
Helen Nunes, por sua vez, em seu rápido depoimento,  nos falou um pouco de sua luta e tratamento. Fez mastectomia (cirurgia de remoção completa da mama - no caso dela, de uma mama). Teceu seus agradecimentos, destacando a relevância do apoio por parte dos familiares, cônjuges e amigos. E explicou que as mulheres, à despeito dos efeitos do tratamento, podem sim, continuar se cuidando e caprichando na aparência, fazendo uso de lenços, turbantes, maquiagens, enfim; explorar acessórios femininos, trabalhando assim, a satisfação e o contentamento pessoal, que é a auto estima. Ressaltou ainda, que está há um ano sem precisar fazer quimioterapia, o que é uma grande vitória. Ela é  fundadora da página "Auto Estima na Quimioterapia". Por onde passa contagia a todos, transbordando e transmitindo fé, esperança e alegria.

Para quem não sabe, Helen Nunes tem desempenhado um frutífero trabalho de apoio aos pacientes em tratamento de câncer no Hospital Napoleão Laureano em João Pessoa - PB. Sempre ladeada de suas companheiras Jaciara Almeida Oliveira, Nilda Girassol e Eliane Brito(a morenaça) a quem chama de "As Mosqueteiras". São mulheres guerreiras, que estão na árdua luta contra o câncer, e de forma louvável e vitoriosa, ajudam outras na superação de seus dilemas.


Alcidema, Franciany, Isabel e Jaciara - Respectivamente
A técnica em Radiologia que atua no setor de mamografia do Hospital Regional de Guarabira, Franciany Alves, esteve presente no evento. Focou sua fala sobre o câncer de mama e evoluções no diagnóstico em mamografia. Relatou, também, a viagem a São Paulo, onde conheceu o Hospital de Câncer de Barretos, referência no diagnóstico e tratamento.




Projetos "Mãos que Ajudam" e "Auto Estima na Quimioterapia" - Parabéns!!
Este, foi o primeiro de muitos encontros que virão, cuja finalidade é o apoio em todos aspectos a quem enfrenta a doença. 

O blog "Encarando o Linfoma", parabeniza essas guerreiras pela brilhante iniciativa.

Mulheres de fé, anjos da solidariedade, militantes de causa nobre, agentes de boa semeadura!... Sigam em frente. Vocês são mais que vitoriosas. 


A todas vocês, dedico a frase de Juahres Alvez: "Quando há fraternidade, o amor é sereno; quando há solidariedade, o amor é ativo, e quando há caridade, o amor é vivo".

                                                  Grato a Deus pela vida de todas
                                        "Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis".

Helen no ensino e confecção de turbantes, entre outros.

Jaciara Almeida, uma das fundadoras do projeto "Mãos que Ajudam".

Eu, Lena e Nicolly - Esposa e Filha no evento: "Tarde do Bem" - Foi um prazer!


                                                   

quarta-feira, 1 de março de 2017

O dia em que fiquei carequinha

Um dos efeitos colaterais considerados mais temidos da quimioterapia é sem sombra de dúvidas a queda de cabelo. É a pior parte. Muitas pessoas que passam pela quimioterapia podem se sentir com raiva, depressão e com vergonha. Por mais que você esteja bem resolvido psicologicamente, é impossível, uma hora ou outra, não ser assaltado por tais sentimentos quando o tal efeito passa a evidenciar-se. Apesar de saber que o mesmo voltará a crescer pós tratamento, é um tanto assustador, principalmente, para as mulheres, pois é algo que está relacionado com sua identidade. 

Não obstante, há homens que são bastante vaidosos com os cabelos, e eu sou um dos tais. Sempre gostei de curtir cortes e penteados modernos. Sempre valorizei esse importante constituinte da boa aparência. Sou do tipo que não abro mão de secador, gel, pomada, cera, spray etc. Por isso, fiquei um tanto mexido quando meus cabelos começaram a cair dezesseis dias pós primeira quimio. Se no caso da mulher os cabelos fala de sua identidade, arrisco dizer, que a relação é a mesma em se tratando de homens vaidosos que cuida e zela pela aparência. Em todo caso, que se vá o cabelo e junto com ele a doença - frase da esposa.

Bem, confesso que demorei alguns dias para passar a máquina e ficar carequinha. Minha ideia, era adiar o máximo possível. Enquanto tivesse cabelo para pentear, lá estava eu resistindo a imposição circunstancial do momento... Mas os dias se passaram, até que um dia, tomando banho, aquele punhado de cabelo molhado me cai pelo rosto. Fiquei triste nesse dia. Além do mais, sentia também o couro cabeludo arder. Resolvi pelar. 

O fato se deu no salão mais sofisticado, luxuoso e comodo da cidade. Salão Visual. Não é exagero da minha parte. A bem da verdade, é a realidade. O proprietário é meu cunhado - José Diniz, mais conhecido como Diniz. Um cabeleireiro de mão cheia. Um verdadeiro "mãos de tesoura". Você acha que estou exagerando? Senta então na cadeira poltrona do Diniz, escolha o corte e aguarde o resultado. Certamente, você comprovará que talento, competência e profissionalismo é sinônimo de brilhantismo de um brilhante profissional. Pura realidade. 

Voltemos ao fato que ocorreu numa Quinta-Feira, 16 de Fevereiro de 2017. Era noite. Próximo das 22;00 horas. Não havia mais cliente no salão. Iríamos iniciar a "sessão zero" - rsrsrs. Os amigos Beguim e Jean, numa demonstração de apoio e solidariedade, participaram ativamente de tudo. Meu cunhado deu as instruções de como usar a máquina. Minha esposa registrava, filmando e fotografando. Não houve peso, tristeza, lágrimas, lamento. Muito pelo contrário. Brincamos de cabeleireiros. Brincamos de ficar carecas. Brincamos, risadas, gargalhadas... Curtimos o ambiente, o momento, o ar condicionado, o som da música da TV Smart pelo Youtube. Curtimos a pipoca da cunhada pipoqueira Eliane - rsrs. Curtimos o espírito fraterno, o gostinho de mais uma etapa superada e vencida. Eles, representando outros tantos, que de outra forma, também nos apoiaram, fizeram essa experiência ser descontraída, leve e suave - esposa, cunhado e amigos. O dia em que fiquei carequinha, eles(Jean e Beguim), também ficaram. Rasparam suas cabeças juntos comigo. Foi um dia de superação, aceitação, lição. Ninguém faz nada sozinho, chega a lugar nenhum sozinho, vence sozinho. 

Admito, os dois primeiros dias quando passava as mãos na cabeça careca, lembrava do seguinte: "estou com câncer". Depois tratei de trabalhar essa mentalidade. Agora o pensamento é diferente. Penso: "estou vencendo o câncer". Ganhei um boné e um gorro, mas acredite, dificilmente faço uso deles. Aprendi a conviver bem com minha carequinha. Minha filha Nicolly de 3 anos, diz que sou o carequinha dela rsrs - "meu carequinha", assim ela fala.

Lena, Diniz, Beguim, Jean - estamos nos trilhos da vitória! "É parte da cura o desejo de ser curado".

Segue o vídeo sobre o referido dia:


"Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis".





 


sábado, 25 de fevereiro de 2017

Minha primeira quimioterapia

Depois do diagnóstico de linfoma, minha médica marcou a data da primeira quimioterapia - 27 de Janeiro de 2017.
Eu já sabia um pouco sobre os efeitos colaterais, pois tratei de ler artigos concernentes, além de ouvir uma amiga, que já havia passado pelo tratamento. Contudo, uma coisa é você saber, outra totalmente diferente, é vivenciar a experiencia. 

A noite que antecedeu o dia dessa primeira sessão foi longa. Não consegui dormir. Estive acordado até as cinco horas da manhã. Os pensamentos eram os mais diversos possíveis. "Será que vou passar mal?" "Será que vou vomitar?" "Será que vou sentir tonturas?"... 

Bem, chegou o dia. Chegou a hora. As 05:30 da manhã, ouvi a buzina do carro. Era meu tio(a quem serei eternamente grato). Teríamos uma hora e meia de viagem pela frente, até a capital João Pessoa. Estava apreensivo, ansioso, inseguro e ainda, de certa forma, um pouquinho chateado por estar passando por isso tudo. Também pudera, não estaria tratando uma gripe, mas sim, um câncer. Não estava indo tomar um soro, mas, a temida e desgastante quimioterapia.

Durante a viagem a mente seguia borbulhando, produzindo seus brotos, a saber: "meu Deus, por que estou passando por isso?" "Eu deveria estar em casa dormindo." "Eu deveria estar me arrumando para o trabalho." Enfim.

Apesar de tudo, estava querendo mesmo era passar logo por isso. Saber como meu organismo reagiria e tal.

Chegamos ao Hospital Laureano, agilizamos todo o protocolo e subimos para a sala na qual receberia a medicação quimioterápica.

Passei pela primeira sala e por uma janelinha transparente vi os pacientes sentados nas poltronas recebendo suas medicações. Cumprindo suas sessões. Gente de várias idades, diferentes classes sociais, porém, iguais em um ponto, todos lutando e vencendo, a cada sessão o seu drama, o seu câncer. 

Entrei numa das salas. Sentei numa das dez poltronas. Enquanto minha esposa apresentava a prescrição aos enfermeiros, eu, meio que perdido, tentava assimilar e aceitar toda aquela situação. O que estou fazendo aqui? Perguntei a mim mesmo. Rapidamente, me sobreveio um desengano. Senti minha alma afligida em questões de segundos. Surgiu a vontade de chorar, mas segurei. Minha esposa percebeu o quanto eu estava mal por dentro, pois toda hora perguntava se eu estava bem. Eu respondia que sim, mas na verdade, queria sair correndo dali. Pegaram o meu acesso, e, enquanto recebia o primeiro soro, tratei de relaxar a fervilhante cabeça, no fato de que, era tudo para o meu bem. Que não estava só. Que precisava honrar o apoio de uma grande turma que estava na torcida por mim.

A equipe de enfermagem, tornam leve as sessões quimioterápicas com um atendimento de qualidade, competente e um tanto descontraído. No meu caso, sabendo eles que era minha primeira vez, recebi uma certa atenção. Fábio, um dos enfermeiros, nos tirou dúvidas, explicou o que eu poderia sentir como reação imediata(graças a Deus não tive) e mim fez rir algumas vezes. Horas depois, todo aquele fardo psicológico desapareceu.

Outra coisa que também me tranquilizou, foi a troca de ideias que tive com o moço que estava ao meu lado. Ele já estava na terceira sessão. Morava no alto Sertão. Ele havia falado que seu cabelo caiu após 15 dias da sua primeira sessão, mas que não teve, até aquele momento, reações graves. Coisa que desejei que acontecesse comigo também(e estar acontecendo rsrs)... Minha esposa sempre trazia algo para mim. Um suco. Uma água de coco. E eu repartia com ele. Porque ali dentro o sentimento é fraterno, solidário, puro, verdadeiro. Todos torcendo um pelo outro. Ali somos guerreiros. Somos irmãos. Fernando Pessoa, em sua poesia "A navegar", escreve o seguinte: "...Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tira-lo também..." Essas palavras traduz o bem querer mútuo que permeava ali entre nós. 

Interessante, também, é que, sempre que alguém está na última sessão, alguém diz: "fulano fez hoje a última sessão". Todos reagimos em clima de comemoração, e, às vezes, até aplaudimos. O sentimento de vitória de um é, também, de todos. Os que terminam a sessão mais cedo, vão embora, mas antes de sair da sala nos deixam um fervoroso "Deus abençoe a todos" - Amém, respondemos.

Dentro do que pude observar, sentir e vivenciar estou terminantemente convencido de que, não há sentimento mais divino que o amor ao próximo. Plante egoísmo e provavelmente, numa dada fase da vida, você estará só. Plante e cultive amor ao próximo, e certamente, em todas as fases da vida, você nunca estará só.

Bem, no período entre o primeiro e quinto dia, após esta minha primeira quimioterapia, tive náuseas. Mas não cheguei a ter ocorrências de vômitos. A ponta dos dedos das mãos até hoje estão adormecidas. Algumas vezes senti dores de cabeça. A boca amargou. Tive dores de barriga sempre após as refeições. Tudo que era doce me causava enjoos(não suporto ouvir a palavra biscoito rsrs). Tive uns refluxos. Sentir leves dores onde os nódulos estavam localizados. E parte do ombro direito ficou um tanto dormente. Passados 16 dias o cabelo começou a cair.

Hoje meu organismo está mais adaptado, digamos assim. Até agora não tive perda de peso. Não tive perda do apetite. Alimento-me bem. E assim vamos vencendo uma quimio de cada vez. Que venha a terceira - 10/03/17. 


"Enquanto houver vontade de lutar haverá esperança de vencer."
Santo Agostinho

Primeira Quimio 27.01.17
Segunda Quimio 17.02.17
Esposa e a amiga Helen Nunes que também luta contra um cancer
                                                                                   
Gelvana Oliveira - Atua na área da Mamografia. Nos visitando - Grato

"Só somos fortes, mas juntos somos imbatíveis".


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Sistema Linfático

O sistema linfático faz parte da defesa natural do organismo contra doenças e infecções – chamado sistema imunológico – e funciona também eliminando resíduos e líquidos em excesso no nosso corpo.

O sistema linfático é constituído pelos gânglios ou nódulos linfáticos que se conectam por todo o organismo através de pequenos vasos, os vasos linfáticos, que transportam um líquido incolor chamado linfa, que contém células brancas do sangue (linfócitos), que o organismo usa para combater infecções.


É formado por linfonodos (gânglios), timo, baço, amígdalas, medula óssea (a porção interna macia dos ossos) e tecidos linfáticos no intestino.
Cada um desses elementos exerce seu papel no organismo:

Nódulos linfáticos ou linfonodos – são massas do tamanho de um grão de feijão (linfonodos normais têm 1 a 1,5 cm de diâmetro) e estão localizadas principalmente no pescoço, axilas, peito, abdome e virilha; onde são produzidos e armazenados os linfócitos.

Linfócitossão tipos de glóbulos brancos que se acumulam nos gânglios linfáticos

Vasos linfáticos – conectam os gânglios e é por onde a linfa, um líquido que envolve os tecidos e contém proteínas e células linfoides, transporta os linfócitos. 

Existem três tipos principais de linfócitos, que agem no combate às infecções e ao câncer: 


As células B, que produzem anticorpos, ativando células do sistema imunológico e proteínas do sangue para combater os micro-organismos que causam infecções; 

As células T, que ajudam a proteger o organismo contra vírus, fungos e algumas bactérias. Também desempenham importante papel nas funções das células B.

As células NK (ou natural killer), que têm como foco as células tumorais e protegem contra uma ampla variedade de agentes infecciosos.